é importante exercer controle sobre a quantidade e a qualidade do que queremos ou devemos processar

Como aprender de forma eficaz!

Para entender como podemos aprender de forma eficaz, vamos nos basear em estudos da neurociência cognitiva, Cosenza e Guerra (2011, p. 98) explicam que as funções executivas são responsáveis pela regulação cotidiana ao possibilitarem nossa interação com o mundo frente às mais variadas situações que encontramos.

Por meio delas organizamos nosso pensamento, levando em conta as experiências e conhecimentos armazenados em nossa memória. Em domínios escolares, elas devem estar voltadas para que os estudantes aprendam a planejar suas atividades, sendo capazes de estabelecer metas. (COSENZA; GUERRA, 2011, p. 98).

O que é necessário é que os alunos saibam não somente procurar informação utilizando os recursos existentes, mas que saibam, também, identificar as questões relevantes, fazendo inferências e generalizações. (COSENZA; GUERRA, 2011, p. 98).

Na atualidade, nem sempre há um ambiente estruturado de forma adequada para o desenvolvimento das funções executivas. Esse é um problema que deveria ser levado em conta se quisermos realmente educar nossos jovens para uma vida útil e feliz. (COSENZA; GUERRA, 2011, p. 98). Cosenza e Guerra (2011) ainda destacam que o cérebro sempre está disposto a processar o que percebe como significante e gratificante, por isso é importante exercer controle sobre a quantidade e a qualidade do que queremos ou devemos processar.

para aprender de forma eficaz é importante exercer controle sobre a quantidade e a qualidade do que queremos ou devemos processar

Isso é compatível com a perspectiva colocada por Khan (2013, p. 50), ao assegurar que aprendemos de forma eficaz, antes de tudo, decidindo aprender de forma eficaz, assumindo compromisso com a aprendizagem, que, por sua vez, gera concentração. Silva e Sá (1993, p. 64) argumentam que o aluno exerce papel ativo na própria aprendizagem se tiver um objetivo fruto de uma construção pessoal por ele valorizado, que o levará a despender esforços e a persistir nas tarefas. Essas pesquisadoras esclarecem que desenvolver hábitos de estudo objetiva possibilitar ao estudante o acesso a condições e instrumentos mentais, que lhe permitam tornar a aprendizagem escolar mais efetiva e autônoma. (SILVA; SÁ, 1993, p. 71).

Alvares e Klimenko (2009) esclarecem que a organização da atividade de estudo, como processo reflexivo, permite aos alunos a tomada de consciência da presença das habilidades e, também, da necessidade delas no processo de estudo e em situações cotidianas. Isso favorece a construção de condições para o fortalecimento da motivação para buscar novas habilidades.

As referidas autoras asseveram que a ideia de evolução cultural não se limita ao sucesso na obtenção de bons escores nas avaliações escolares, implica avanços por horizontes desconhecidos e contribuições para a transformação cultural. Por sua vez, essa evolução não se refere apenas ao progresso econômico, tecnológico ou científico da civilização, também abarca o desenvolvimento da dimensão do humano a partir do ser, pensar e atuar em relação a consigo mesmo e com os demais. (ALVARES; KLIMENKO, 2009, p. 12). Como esclarecem Jou e Sperb (2006), a metacognição é a capacidade do ser humano ter consciência de seus atos e pensamentos, de pensar o próprio pensar, de desenvolver estratégias para interagir com o meio.

Por isso, o olhar atento à educação aberta ao estudo autodirigido possibilita o trânsito por um universo de autonomia com escolhas e significações. Almeida (2002, p. 163) alerta que temos uma escola ainda pouco apta para intervir e ajudar os alunos a estudar, a aprender e a pensar. O autor revela acreditar que a crença atual na modificabilidade cognitiva e a consciência reinante de que a escola deve se preocupar com o ensinar a aprender e a pensar acabarão por introduzir mudanças significativas na lógica funcional e nas práticas escolares. (ALMEIDA, 2002, p. 163).

Em síntese, aprender de forma eficaz a estudar implica a tomada de consciência que cabe a cada pessoa a responsabilidade de sua construção como aprendiz autônomo e competente. Contudo, a escola parece ainda renitente quanto a delegar aos alunos espaço de protagonismo.

Aprender de forma eficaz – Algumas considerações

Em um mundo de complexidade crescente, somos convidados a tecer trajetórias dispondo de áreas de silêncio aprender de forma eficaz a estudar e aprendizagem da atenção em entrelaçamento com o contexto multiforme e estridentemente chamativo das TIC.

As aprendizagens requeridas para emancipação cognitiva aprendizagem da atenção e aprender a estudar, em sua singeleza, não se encaixam no consagrado jargão escolar da transmissão de conhecimentos. Elas requerem um clima de diálogo, de negociações cognitivas e, principalmente, de ouvir a si mesmo.

Esboçamos um desenho em que colocamos em relevo a arte de estudar, apontando o conhecimento acerca do conhecer como abertura de possibilidades para aprendizagens autodirigidas. Trouxemos, também, olhares voltados à aprendizagem da atenção em uma cultura que passeia por múltiplos focos, sem cuidadosas paradas. Completando, encontramos a escola persistindo em sua rota de cultuar o ensino, fundado na transmissão, com isso sua comunicação permanece verticalizada e o protagonismo é dos professores.

Contrapondo-se a isso, há vozes a anunciar possibilidades que se abrem quando experimentamos ouvir a nós próprios, buscando compreender nossos pensamentos e nossas estratégias cognitivas. Ao passear por essas ideias, a compreensão da dimensão do caráter político da forma de concebermos a cognição leva-nos a conceber a possibilidade de culturas de aprendizagem autodirigidas, em que as pessoas se inventem como aprendizes e construtoras de sua própria expertise na arte de estudar, conhecendo o seu funcionamento atencional.

Procurando horizontes, entendemos que renovar a forma como nos situamos como leitores do mundo requer a superação da cultura que privilegia tarefas em detrimento de posturas reflexivas. Por esse caminho, a escola seria um lugar de estudos e de exercício de autonomia para conhecer, sem perder de vista o autoconhecimento.

REFERÊNCIA

RUIZ, A. R. Tecnologias, aprendizagem da atenção e aprender a estudar

Educar em Revista, Curitiba, Brasil, n. 55, p. 293-306, jan./mar. 2015. Editora UFPR 306


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